domingo, 28 de outubro de 2012

A DESGRAÇA REAL


EVANGELHO SEGUNDO ESPIRITISMO
Capítulo V
BEM – AVENTURADOS OS AFLITOS
Item 24
 
          Toda a gente fala da desgraça, toda a gente já a sentiu e julga conhecer-lhe o caráter múltiplo. Venho eu dizer-vos que quase toda a gente se engana e que a desgraça real não é, absolutamente, o que os homens, isto é, os desgraçados, o supõem. Eles a vêem na miséria, no fogão sem lume, no credor que ameaça, no berço de que o anjo sorridente desapareceu, nas lágrimas, no féretro que se acompanha de cabeça descoberta e com o coração despedaçado, na angústia da traição, na desnudação do orgulho que desejara envolver-se em púrpura e mal oculta a sua nudez sob os andrajos da vaidade. A tudo isso e a muitas coisas mais se dá o nome de desgraça, na linguagem humana. Sim, é desgraça para os que só vêem o presente; a verdadeira desgraça, porém, está nas conseqüências de um fato, mais do que no próprio fato. Dizei-me se um acontecimento, considerado ditoso na ocasião, mas que acarreta conseqüências funestas, não é, realmente, mais desgraçado do que outro que a princípio causa viva contrariedade e acaba produzindo o bem. Dizei-me se a tempestade que vos arranca as árvores, mas que saneia o ar, dissipando os miasmas insalubres que causariam a morte, não é antes um felicidade do que uma infelicidade.
          Para julgarmos de qualquer coisa, precisamos ver-lhe as conseqüências. Assim, para bem apreciarmos o que, em realidade, é ditoso ou inditoso para o homem, precisamos transportar-nos para alem desta vida, porque é lá que as conseqüências se fazem sentir. Ora, tudo o que se chama infelicidade, segundo as acanhadas vista humanas, cessa com a vida corporal e encontra a sua compensação na vida futura.
          Vou revelar-vos a infelicidade sob uma forma, sob a forma bela e florida que acolheis e desejais com todas as veras de vossas almas iludidas. A infelicidade é a alegria, é o prazer, é o tumulto, é a vã agitação, é a satisfação louca da vaidade, que fazem calar a consciência, que comprimem a ação do pensamento, que atordoam o homem com relação ao seu futuro. A infelicidade é o ópio do esquecimento que ardentemente procuras conseguir.
          Esperai, vós que chorais! Tremei, vós que rides, pois que o vosso corpo está satisfeito! A Deus não se engana; não se foge ao destino; e as provações, credoras mais impiedosas do que a matilha que a miséria desencadeia, vos espreitam o repouso ilusório para vos imergir de súbito na agonia da verdadeira infelicidade, daquela que surpreende a alma amolentada pela indiferença e pelo egoísmo.
          Que, pois, o Espiritismo vos esclareça e recoloque, para vós, sob verdadeiros prismas, a verdade e o erro, tão singularmente deformados pela vossa cegueira! Agireis então como bravos soldados que, longe de fugirem ao perigo, preferem as lutas dos combates arriscados à paz que lhes não pode dar glória, nem promoção! Que importa ao soldado perder na refrega armas, bagagens e uniformes, desde que saia vencedor e com glória? Que importa ao que tem fé no futuro deixar no campo de batalha da vida a riqueza e o manto de carne, contanto que sua alma entre gloriosa no reino celeste? – Delfina de Girardin. (Paris, 1861.) 

Objetivo: Mostrar onde se encontra a verdadeira desgraça e como devemos nos comportar para evitá-la e enfrentá-la.
1.     Onde está a verdadeira desgraça?
Está nas conseqüências desastrosas de nossos maus procedimentos.
Um fato que acarreta conseqüências funestas é mais desgraçado do que um que, a princípio, causa viva contrariedade, mas que acaba produzindo o bem.
2.     As nossas frustrações e carências físicas não são suficientes motivos de sofrimento?
Sim. No entanto, piores são as conseqüências dos nossos procedimentos contrários ao Evangelho, fora da caridade.
Nossos maus procedimentos de hoje pronunciam o decorrente e inevitável sofrimento de amanhã.
3.     Como estabelecer o que é ditoso ou inditoso para o homem?
Para isso, precisamos nos transportar para além desta vida, porque é lá que as conseqüências se fazem sentir.
Tudo o que se chama infelicidade, segundo o ponto de vista humano, cessa com a vida corporal e encontra a sua compensação na vida futura.
4.     Os valores do mundo estão, assim, invertidos?
De uma maneira geral, sim. Entretanto, não estamos no mundo apenas para gozar os prazeres materiais, mas para aprender a fraternidade de que o Evangelho nos fala.
Essa inversão decorre da nossa ignorância quanto à verdadeira finalidade da vinda do homem à Terra.
5.     O que é infelicidade?
É a alegria malsã, o prazer desequilibrado, a vã agitação, a satisfação louca da vaidade, que fazem calar a consciência, que comprimem a ação do pensamento, que atordoam o homem com relação ao seu futuro.
A infelicidade é o esquecimento da nossa destinação transcendente pelo prazer de fruir gozos perniciosos.
6.     É certo usufruir das alegrias sadias do mundo?
Sim, desde que não nos percamos nessas alegrias, pois a finalidade maior da vida é o nosso aprimoramento espiritual, à luz do Evangelho.
O espiritismo nos esclarece a verdade e o erro, tão desfigurados pela nossa cegueira.
7.     Como encarar a satisfação das necessidades materiais?
Como meio e não como fim. Devemos considerar as carências dos outros e buscar repartir o que temos. Moderação acima de tudo.
Aquele que tem fé no futuro não se importa de deixar sua fortuna e seu manto de carne, contanto que sua alma entre, radiosa, no reino celeste.
Conclusão: A verdadeira desgraça não se encontra nas dores físicas que nos afligem, e sim nas conseqüências desastrosas de nossos maus procedimentos. A desgraça que hoje experimentamos, muitas vezes, prenuncia a felicidade que se avizinha.

 

 

 

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MENSAGEM

Bendito sejas


Bendito sejas,coração amigo,
Pelo pão que dás, à porta,
ao companheiro que se desconforta,
Na aflição da penúria sem abrigo.


Deus te faça feliz pela roupa que ofertas
Aos torturados do caminho,
Que tanta vez se vão no desalinho
Das feridas que trazem descobertas...


Deus te conceda o prêmio da ventura
Pela ternura sorridente
Com que levas ao doente
O amparo do remédio e a esperança da cura.


Deus te guarde na fonte da alegria,
Para lenir, no esforço a que te dês,
A orfandade e a viuvez
Que vivem para a dor de cada dia


Deus porém, te abençoe, coração brando e pasmo,
Coma a mais sublime recompensa,
Quando olvidas a intromissão da ofensa,
O golpe da injustiça, e a pedra do sarcasmo.


Deus te exalte no santo esquecimento
Do mal que te golpeia,
reduzindo a extensão da chaga alheia
Sem cogitar do pronto sofrimento.
Bendito sejas coração submisso,
Embora sábio entre os mais sábios,
No exemplo da bondade e do serviço,
Porque o amor transforma a sombra em luz
E o perdão ,onde ampare, nunca erra,
auxiliando a vida em toda a Terra
Para o reino Divino de Jesus.

Maria Dolores


do Livro:- Poetas Redivivos,pgs 22 e 23
Francisco C.Xavier

ORAÇÃO

Oração da Manhã

Senhor, no silencio deste dia que amanhece,
venho pedir-te saúde, força, paz e sabedoria.

Quero olhar hoje o mundo com olhos cheios de amor, ser paciente, compreensivo, manso e prudente.

Ver, além das aparências, teus filhos como Tu mesmo os vês, e assim não ver senão o bem em cada um.

Cerra meus ouvidos a toda calúnia.

Guarda minha língua de toda maldade.

Que só de bênçãos se encha meu espírito.

Que eu seja tão bondoso e alegre, que todos quantos se achegarem a mim, sintam a tua presença.

Senhor, reveste-me de tua beleza.

E que, no decurso deste dia, eu te revele a todos.

Amém